Pavilhão São Geraldo

2019

Localização:

Brasília, Brasil

Programa Funcional:

Arquitetura Efêmera

Ano:

2019

Área:

850 m²

Autores:

Eduardo Sainz e Lilian Glayna Sainz

Fotografias:

Haruo Mikami e Jomar Bragença

Placa de sinalização com o nome São Geraldo em letras pretas, lado externo de edifício, com vegetação ao fundo.

Foto: Haruo Mikami e Jomar Bragença

O projeto nasce com a intenção de desacelerar o olhar. Não é um museu, não é uma sala de exposição, não é um pavilhão qualquer. É um corpo construído para provocar silêncio interno, onde o visitante não apenas observa, mas se move, escuta, sente, interpreta. Desde o primeiro passo, o percurso convida à introspecção.

Caminho cercado por plantas verdes e árvores, com painéis brancos ao longo do caminho e céu azul ao fundo.

Foto: Haruo Mikami e Jomar Bragença

A arquitetura se dissolve entre som, aroma e penumbra. Um trajeto quase labiríntico, que não quer ser revelado de uma vez. Em cada virada, uma quebra de expectativa. Em cada pausa, a sensação de que o tempo voltou a ter peso.

Jardim com árvores grandes, plantas de folhas largas, sombra de árvores na parede branca e céu azul

Foto: Haruo Mikami e Jomar Bragença

Aqui, a arte não está contida nas paredes, ela atravessa o espaço. A curadoria, desenvolvida em parceria com a Manufatura, propõe uma ocupação viva: esculturas, projeções, performances e composições sonoras interagem com o corpo do visitante de maneira íntima. Não há setas, nem instruções.

Caminho iluminado com luzes de LED ao lado de árvores e plantas em uma área ao ar livre à noite.

Foto: Haruo Mikami e Jomar Bragença

O roteiro é fluido e instável, como a própria experiência de estar presente. O pavilhão não é cenário: é território de interferência. Cada artista foi convidado a ocupar, tensionar, provocar. E a arquitetura não resiste, ela escuta, acompanha e responde em silêncio.

Foto: Haruo Mikami e Jomar Bragença

O espaço é resultado de uma soma rara de escuta e intenção. Marina Pimentel assina o paisagismo que contorna, organiza e valoriza as pré-existências: árvores maduras, raízes profundas e sombras necessárias. O percurso externo costura o espaço com calma, revelando aos poucos o interior. Bancos moldados no mesmo concreto do piso sugerem pausas espontâneas e observação.
A equipe interna da São Geraldo participou de todas as etapas do processo, unindo precisão construtiva com entendimento afetivo do uso. Nada foi feito para impressionar. Tudo foi feito para durar.

Entrada de um local chamado São Geraldo, com uma parede de pedra, algumas escadas, árvores ao redor e sombra de galhos no chão

Foto: Haruo Mikami e Jomar Bragença

Este pavilhão não tem pressa. Ele não entrega imagens prontas, nem frases fechadas. Em vez disso, oferece camadas, texturas e desvios. A arquitetura funciona aqui como suporte, não como objeto. Ela cede o protagonismo ao visitante e à arte, criando uma atmosfera em branco, aberta à multiplicidade de olhares.

Cada um que passa, leva uma versão diferente. Cada vez que se volta, encontra um novo espaço. Talvez seja essa a função mais generosa da arquitetura: conter o tempo e deixar que o corpo o percorra, no seu próprio ritmo.

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